José Maurício dos Santos Pinheiro
em 12/03/2006
As camadas de enlace e de rede do modelo OSI estão se
fundindo e está cada vez mais difícil distinguir
entre dispositivos tradicionais de camada 2, como os switches
e os dispositivos para camada 3, como os roteadores nas redes
locais de computadores atuais. Switches
na camada de enlace Essencialmente os switches
usados em redes locais de computadores são pontes multiportas
modificadas, que operam na camada de enlace de dados (modelo
OSI) e que examinam e usam endereços da subcamada de
controle de acesso ao meio (endereços MAC) para transmitir
ou filtrar o tráfego e permitir a interconexão
entre máquinas diretamente, ou seja, simulando uma
conexão ponto a ponto.

Figura 1 - Comunicação
entre estações de trabalho via switch
Como operam na camada de enlace, os switches devem ser transparentes
aos protocolos que operam em níveis mais altos. Isto
significa que, independentemente do protocolo, eles transmitem
ou descartam quadros independentemente do protocolo usado
na rede.
Throughput
A tecnologia dos switches agrega avanços tecnológicos
capazes aumentar o throughput (a vazão) da rede. Eles
conseguem chavear com velocidade, disponibilizando uma banda
maior para quem envia ou recebe um pacote de dados. Alguns
fornecedores de switches incorporam funcionalidades de roteadores
aos seus produtos de forma que eles possam examinar também
as informações contidas nos cabeçalhos
ao nível de rede (camada 3).
Um switch permite a troca de mensagens entre várias
estações ao mesmo tempo e não apenas
o compartilhamento de um meio para isso, como acontece com
os hubs. Desta forma as estações da rede podem
obter para si taxas efetivas de transmissão bem maiores
do que as observadas em uma rede utilizando apenas hubs.
Tipos de switches
Existem dois tipos básicos de switches que podem ser
usados em redes locais de computadores: os gerenciáveis
e os não-gerenciáveis. Enquanto os switches
não-gerenciáveis são dispositivos indicados
para o uso em redes pequenas no lugar dos hubs, os switches
gerenciáveis oferecem um conjunto de características
avançadas com maiores funcionalidades, sendo imprescindíveis
em redes de maior porte.
Cada porta de um switch recebe um endereço MAC específico,
com caminhos fixos para os dados entre as portas do dispositivo.
Um switch reconhece o endereço físico (endereço
MAC) dos dispositivos a ele conectado para regular o fluxo
de tráfego através da rede. Quando uma mensagem
alcança um switch, o mesmo checa o endereço
de destino no frame de dados e o compara com sua tabela de
endereços. Se o endereço corresponder a um dos
dispositivos conectados em uma de suas portas, ele retransmite
a mensagem somente para aquela porta. Assim, a transmissão
de dados em um switch é baseada em uma associação
estática entre porta e endereço MAC.
Algumas características comuns aos switches incluem
a comunicação full duplex e autonegociação.
Outra característica é a auto MDI-MDIX ou autocrossing.
Essa característica elimina a necessidade do uso de
cabos cruzados (crossover) para interconectar os switches.
Essa facilidade permite a uniformidade do cabeamento, permitindo
o uso apenas de cabos diretos em toda a rede.
Os switches gerenciáveis permitem ainda aos administradores
da rede determinar a velocidade de operação
para uma porta específica, no sentido de otimizar a
banda de passagem e o desempenho global da rede. Como uma
rede de computadores normalmente sofre alterações
ao longo do tempo, esse recurso se torna muito útil
ao monitorar e verificar o status dos segmentos em tempo real.
Operação do switch
Um switch proporciona alta taxa de transferência com
baixa latência (atraso que o dispositivo de rede introduz
quando quadros de dados passam por ele). A latência
é um ponto importante para aplicações
sensíveis ao tempo, como as transmissões de
voz e vídeo. Nesse sentido, existem duas formas de
operação do switch para transmitir os pacotes
na rede: Store and Forward switching e Cut-Through switching.
Na operação Store and Forward o switch armazena
todo o pacote de nível 2, analisa o CRC, e envia o
pacote ao outro segmento somente se tudo correu bem. Essa
técnica é mais lenta devido ao tempo que leva
para analisar o pacote recebido. Normalmente é necessário
a fim de converter um pacote entre tipos diferentes de redes.
Essa técnica também é obrigatória
quando se utilizam switches de nível 3, pois os switches
devem analisar o pacote para fazer funções de
roteamento.
Na operação Cut-Through o switch envia o pacote
ao outro segmento da rede assim que examina o endereço
MAC de destino. Essa técnica é mais rápida,
e o controle de erros é deixado para tratamento nas
estações finais.
RMON e Espelhamento
Além do monitoramento, os switches gerenciáveis
permitem outras formas para regular o fluxo de tráfego
e otimizar a utilização de banda da rede. Com
a utilização de RMON (Remote Monitoring) é
possível monitorar o fluxo de tráfego específico
em cada porta evitando possíveis gargalos na rede.
Uma outra forma para monitorar pacotes de dados específicos
de uma porta é possível graças a uma
característica encontrada em alguns switches gerenciáveis
chamada de "port mirroring" ou espelhamento de porta.
Essa característica permite espelhar o tráfego
de uma determinada porta para outra sem interromper o fluxo
de tráfego na porta original.
IGMP snooping
Outra característica que podemos encontrar nos switches
gerenciáveis e que ajuda a eliminar o congestionamento
de tráfego multicast em uma rede é o que chamamos
de Internet Group Management Protocol ou IGMP snooping. Quando
um switch recebe uma mensagem multicast, ele tipicamente distribui
essa informação para todas suas portas.
Se o switch suporta IGMP snooping, o mesmo é capaz
de determinar quais são os dispositivos conectados
a ele que fazem parte do grupo multicast, ou seja, o switch
direciona a informação para a porta específica
e não haverá desperdício de banda com
um tráfego de multicast desnecessário.
Gerenciamento de memória
Quando um switch recebe duas ou mais comunicações
para um mesmo endereço MAC (mesma porta) a solução
é manter um buffer interno para cada porta existente.
Dessa forma é possível armazenar temporariamente
o quadro até poder transmiti-lo.
A diferença entre os switches do mercado está
na forma com que eles gerenciam essa memória disponível
para cada porta. No caso de se ter várias comunicações
para uma porta específica, pode acontecer do buffer
dessa porta se esgotar, fazendo com que sejam perdidas informações
(mesmo que os buffers das outras portas estejam livres). A
solução adotada neste caso por alguns fabricantes
é utilizar uma gerência para a memória.

Figura 2 – Gerenciamento
de memória no switch
Assim, tem-se uma memória para cada
porta do switch e uma memória global para o dispositivo.
Caso o buffer da porta estoure, automaticamente os quadros
passam a ser armazenados na memória global. Desta forma,
com um mesmo tamanho de memória por porta (adicionando-se
apenas uma memória extra), consegue-se um melhor aproveitamento
e menor perda de informação.
Em resumo, os switches tornaram-se necessários nas
redes de computadores devido às demandas por maiores
taxas de transmissão e melhor utilização
dos meios físicos. No switch, a largura de banda é
dedicada entre as estações, eliminando as colisões
e possibilitando uma melhoria substancial no desempenho da
rede. Além deste fato, pode-se definir níveis
de prioridade nas portas e reduzir o tráfego desnecessário
nos segmentos da rede.
José Maurício Santos Pinheiro
Professor Universitário, Projetista e Gestor de Redes,
membro da BICSI, Aureside, IEC e autor dos livros
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